quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O STF lavou nossa alma tergiversante

Brasília está em festa. As últimas duas semanas pareceram dezembro, tantos foram os jantares, os churrascos, os almoços de adesão e os happy-hours, essa expressão que evito usar na frente do Aldo Rabelo. Há muito a celebrar.

Primeiro, o êxito do leilão de rodovias. O desinteresse pela BR-262 confirmou o acerto da estratégia: impor condições duras e confusas, testando assim o compromisso do setor privado com o país. Reprovados, como eu previ. Eu e a Dilma.

Talvez por inocência, o César Borges, a Gleisi e mais alguns ficaram amuados. Depois, de cabeça fria, compreenderam: se formos esperar pelo setor privado, nunca haverá infraestrutura nesse país. Felizmente podemos contar com o DNIT, a VALEC, o balanço do BNDES e o apoio decisivo do Tesouro. Chega de experimentalismo.

No leilão do pré-sal, deu a lógica: as companhias privadas correram ao perceber que o negócio era a preço justo e visava o interesse nacional. Ficamos com Petrobrás e essas estatais asiáticas das quais eu nunca tinha ouvido falar. Estamos muito bem.

Já a decisão do STF sobre o chamado “mensalão” reafirmou nossa índole criteriosa na hora de condenar quem quer que seja – mais ainda pessoas que tanto fizeram pelo país. Ao lamentar a condenação de Genoíno, o ministro Barroso demostrou que é um homem independente. Inclusive da lei, se preciso.

O STF lavou nossa alma tergiversante. Restituiu a devida lentidão ao processo judicial, permitindo assim que o Tempo – o maior conselheiro – suavize as verdades e assegure a harmonia da Pátria.

Para completar, estive em Nova York acompanhando Dilma em sua histórica passagem pela ONU. Que discurso! A presidenta deu desfecho glorioso a um plano traçado lá atrás, naquela sexta-feira em que nos reunimos – ela, Lula, Santana, Rui Falcão, Franklin e eu – para decidir o que fazer com o bisbilhoteiro do Obama.

Lula estava pelas tamancas, em ótima forma. Depois de tantos anos de convívio, ainda me surpreendo com a competência de nossa gente. Não faltaram teses e argumentos perspicazes, apesar de nenhum de nós entender patavina de diplomacia. Dispensamos a turma do Itamaraty e confiamos, digamos assim, o pênalti ao presidente do clube.

Se estivesse naquela reunião, esse novo ministro que substituiu o Patriota ia criar confusão. Invocaria os meses de preparação. Lembraria que esta seria a única recepção de Estado da Casa Branca a um líder estrangeiro em 2013, e a primeira a um brasileiro em quase vinte anos. Entre outros argumentos sofismáticos, especialidade desse pessoal.

Demos um basta no formalismo rococó da Casa de Rio Branco. É o que eu digo: na hora de fazer diplomacia, mais valem a experiência político-eleitoral e o treino sindical.

Na próxima vez que a Dilma me pedir sugestão de onde cortar gastos, vou sugerir fechar esse Instituto Rio Branco. Seu tempo passou.

17 comentários:

  1. Esse blog é algo sério ou é fake?

    Sinceramente, mesmo simpatizando com a esquerda, achei praticamente tudo que você escreveu um absurdo. Principalmente, ao que diz respeito ao Instituto Rio Branco.

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  2. Nunca li nada tão distante da realidade. Acorda Jaélio e Acorda Brasil.

    (A não ser que isso seja seu emprego e alguém esteja te financiando, daí pode continuar)

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    1. Eduardo, passeie pelos posts anteriores, vc vai entender o espírito do blog! rs

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  3. Os comentários são os melhores!! "Acorda Brasil" hahaha

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  4. Jaelio, por que os outros blogs têm patrocínio da Caixa e do Banco do Brasil e o seu não? Uma grande injustiça. Abraço!

    Leonardo

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  5. Jaélio: achei incrivel alguns comentarios no seu blog. Tambem gosto de ironias e as suas são excelentes, vou divulga-las. Mas, como acontece comigo, tem muita gente que nao entende de ironias. Eu ja senti que para europeus e americanos, a gente tem que ser mais explicito. Mas, infelizmente, confirmo que para brasileiros isto tambem é necessário. Como tem gente babaca neste mundo!

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  6. Se deixar os petistas levam isso a sério, até eu fiquei em dúvida se te xingava ou se dava risada. kkkkkk!!! Muito bom!

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  7. PARABÉNS JAÉLIO, EXCELENTE TEXTO, UM DURO GOLPE NESSES TUCANOS!

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  8. Poxa, Jaélio! Vamos aualizar o blog, por favor. É uma das minhas leituras obrigatórias. Ainda bem que existe a blogosfera estatal. O que seria de nós se dependêssemos apenas do PIG para ter informação de qualidade? Você é mais insider que a formiga! Beijão.

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  9. ¯\_(ツ)_/¯
    2017: a todos do blog, que fiquem atentos à picaretagem em 2017 & que vossas mentes permaneçam rápidas perante ao ilusionismo do PT.
    Um sublime 2017!

    Viva 2016!

    Em 2016 houve fato fabuloso sim, apesar de Vanessa Grazziotin falar que não, dessa forma equivocada assim:
    “O ano de 2016 é, sem dúvida, daqueles que dificilmente será esquecido. Ficará marcado na história pelos acontecimentos negativos ocorridos no Brasil e no mundo. Esse é o sentimento das pessoas”, diz Grazziotin.

    Mas, por outro lado, nem que seja apenas 1 fato positivo houve sim! É claro! Mesmo que seja, somente e só, um ato notável, de êxito. Extraordinário. Onde a sociedade se mostrou. Divino. Que ficará na história para sempre, para o início de um horizonte progressista do Brasil, na vida cultural, na artística, na esfera política, e na econômica.

    Que jamais será esquecido tal nascer dos anos a partir de 2016, apontando para frente. Ano em orientação à alta-cultura. Acontecimento esse verdadeiramente um marco histórico prodigioso. Tal ação acorrida em 2016 ocasionou o triunfo sobre a incompetência. Incrementando sim o Brasil em direção a modernidade, a reformas e mudanças positivas e progressistas. Enfim: admirável.

    Qual foi, afinal, essa ação sui-generis?
    Tal fato luminoso foi o:

    — «Tchau querida!»*

    [ (*) a «Coração Valente©» do João Santana; criada, estimulada e consumida. Uma espécie de Danoninho© ‘vale por um bifinho’. ATENÇÃO: eu disse Jo-ã-o SAN-TA-NA].

    Eis aí um momento progressista, no ano de 2016. Sem PeTê. Sem baranguice. Sem política kitsch.

    A volta de decoro ao Brasil. Basta de porralouquice.

    Feliz 2017 a todos.

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