sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Esse Schwartsman é um frustrado

Eis um mito antigo: o de que a oposição no Brasil é desorganizada.

Equivale a dizer: “Vocês só ficam aí porque ninguém se dá ao trabalho de apeá-los.” Grossa tolice. O jogo é duro e a oposição é fortíssima, além de mal intencionada. É preciso, porém, saber onde encontrá-la.

Não procurem no Congresso, nos partidos ditos de oposição. Ali, reina a harmonia. Neste momento, situação e “oposição” dão-se os braços em nome de um projeto da maior relevância: aumentar barbaramente o gasto público obrigatório com educação e saúde.

Se tudo der certo, a medida ainda terá o condão de inviabilizar, por asfixia, esse modelo fiscal iníquo que hoje prioriza o pagamento de juros. Em breve, não haverá dinheiro nem para juros, nem para dívida. Graças ao trabalho sério e republicano do governo e da “oposição”, chegaremos enfim ao calote da dívida, aspiração histórica.

(Um amigo me disse que o dinheiro da nossa poupança também é dívida: se cancelar um, some o outro. Não entendi direito, vou checar.)

A “oposição” no Congresso também está trabalhando conosco em prol do “orçamento impositivo”, um seguro contra o sumiço do dinheiro das emendas dos senhores deputados. Vai devolver “dignidade” ao Congresso, como eles dizem.

Fica assim demonstrado que, nas ações do dia a dia, não há oposição nos partidos: trabalham juntos pelo país. E no plano das ideias?

Aqui tampouco vocês encontrarão oposição nos partidos. Vejam o Serra. Construiu essa imagem de criterioso no gasto público (uma coisa ranzinza – minha opinião). Nas ideias, porém, é igual a qualquer quadro histórico do PT. Mesmo diante da evidência das últimas décadas, mantém um otimismo refrescante em relação ao papel do Estado. Tem muito mérito.

A oposição não está nos partidos. Ela vive, isso sim, nas colunas dos jornais. Feroz e perigosa.

Outro dia, numa pausa em meio a assuntos mais importantes, a presidenta me perguntou sobre esse Alexandre Schwartsman, que vive para descer a lenha no governo pelos jornais. “Devo me ocupar disso?”. Respondi com a verdade: “É um frustrado a soldo dos bancos”. A presidenta já cuida de muita coisa.

Da última vez que olhei o blog desse rapaz, ele andava fuçando dados de produção acadêmica de economistas brasileiros. Descobriu que alguns economistas – que ele chama de “heterodoxos e quermesseiros” – produzem pouco e quase não são citados por outros pesquisadores.

Os integrantes de outro grupo, que ele chama de “decentes”, produzem mais e são mais citados por seus pares.

Schwartsman quer com isso dizer o seguinte: os economistas que o partido valoriza não são respeitados na academia. É verdade, mas quem se importa? Só ele. Deve ser frustração.

O intrépido colunista denigre o Banco Central todos os dias. Apega-se a minúcias, como a persistência da inflação acima do centro da meta. Apraz-se em “denunciar” que, para o BC, a inflação resulta da conjuntura externa, ou da mudança estrutural da renda, e por isso não há muito a fazer. Agora deu de sugerir que o BC se retrate de seus "erros". Só falta chamar o BC de irresponsável!

Qualquer pessoa intelectualmente honesta sabe que o BC faz o que pode para segurar a inflação. Subir juros qualquer neoliberal pode; agir com critério e responsabilidade, porém, exige bom senso, espírito público e alinhamento com os objetivos do governo, que são os mesmos do país.

Mas ao rapaz interessa atiçar o fogo oposicionista, em vez de reconhecer o valor do trabalho do BC, realizado sob a liderança firme da presidenta e com um olhar atento às necessidades políticas do país.

7 comentários:

  1. Parabéns, Jaélio, pela lucidez. Bom saber que nossa Presidenta está cercada de gente como você que não se curva ao Consenso de Washington e consegue perceber que os países da AL que seguem esse receituario, Chile, Colombia, Mexico e outros estão arruinando seu futuro no altar do fetiche do capital e, enquanto isso, as alternativas nacionalistas e populares representadas pela Venezuela, Argentina e, espero que cada vez mais, o Brasil, tem um futuro brilhante pela frente. Hasta la vitoria, siempre, camarada!

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  2. Quanto ao Schwartsman, deixa esse cara pra lá...além de um vendido, o cara ainda é bambi, o que deve estar contribuindo para sua frustração. Lembro de ler no blog dele comentários sobre o pessoal que estava comprando inflação implícita...o maluco defendeu que a implícita podia ir para 6%, tomou porrada de alguns comentaristas que com certeza sabem muito mais que ele e agora as implícitas estão rodando a....bem, deixa pra lá... Um abraço e continue o bom trabalho. Pau nessa canalha privatista!

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  3. Jaélio Bezerra,
    Não foi o Alex que fez a comparação entre "Alguns heterodoxos e quermesseiros vs Alguns economistas decentes".
    Quermesseiros = burros.
    Decentes = inteligentes.

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  4. Independente da ´´fervura´´ que consta nas opiniões do Schwartsman não é no minimo curioso o fato do mercado inteiro (bancos,especialistas entre outras instituições) levantar duvidas sobre a condução da nossa politica econômica e do papel do BC que por diversas vezes errou nas suas projeções de inflação, PIB, superavit primário,SELIC?

    Acredito que na politica assim como no futebol e na religião os ânimos se exaltem mesmo mas quando colocamos alguns assuntos em analise vemos que o Governo está abaixo do ideal no que se refere aos assuntos acima...não faço ideia do que seja comandar um pais mas confesso que depois do primeiro ano de mandato só venho me decepcionando com a condução da nossa politica economica.

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  5. Quase te xinguei de petista, de novo!!! kkkkk!!!

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  6. Grande Bezerra,
    Meus parabéns pelo magnífico texto.
    Apaga aí o meu comentário das 26 de agosto de 2013 17:30.
    Eu pensei que esse blog era mais um vendido para os ladrões do PT.

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